Preço do asfalto pode causar atraso em obras e opção por material de baixa qualidade.

Uma alta de 42% no preço do asfalto empregado em obras no Paraná tem pressionado os custos de infraestrutura no estado. Segundo levantamento da Associação das Empresas de Infraestrutura Viária do Estado do Paraná (Infravia-PR), o aumento do insumo, afetado por reajustes aplicados pelas refinarias desde maio deste ano, representa uma elevação de 16% a 17% no custo total das obras. Em média, nas obras de conservação viária do estado, o asfalto corresponde a cerca de 10% do custo de serviços básicos, como tapa-buracos e roçadas. Já em obras de pavimentação, como duplicações ou implantação de terceira faixa, os derivados representam de 20% a 30% do valor. Em serviços de restauração, recapeamento e reciclagem de base, a participação do ligante varia de 35% a 50% do custo. Segundo o secretário-geral da Infravia-PR, Rodrigo Gawlik Júnior, o aumento dos insumos sem a recomposição dos valores contratados pode inviabilizar a continuidade das obras. “O programa de conservação do Estado é da ordem de R$ 4,5 bilhões e cobre cerca de 10 mil quilômetros de rodovias. Nessa escala, cada ponto percentual representa milhões de reais”, aponta. Na avaliação do secretário, o setor precisa desembolsar recursos antes de receber os valores previstos nos contratos e, com o avanço da execução, o custo da obra acaba ficando defasado. “O fôlego dura, em média, de dois a três meses. Depois, as alternativas são todas onerosas: crédito caro, redução de ritmo ou demissão. É o que já se observa no Estado: frentes operando com parte da capacidade, férias coletivas e cortes de pessoal”, completa. Leia a reportagem completa em https://www.tribunapr.com.br/noticias/parana/custos-maiores-risco-atrasos-alta-asfalto-desafia-obras-rodoviarias-parana/Copyright © 2026, Tribuna do Paraná. Todos os direitos reservados. Foto: Átila Alberti / Tribuna do Paraná
Conselho Estadual de Infraestrutura: solução para o silêncio da sociedade

Existe um paradoxo curioso. Somos rápidos para reclamar da estrada esburacada, da obra que atrasou anos, do investimento que ninguém entende para que serve. Mas, quando chega o momento de decidir onde, como e por que o dinheiro público será aplicado em infraestrutura, o cidadão simplesmente não aparece. A cadeira reservada à sociedade nas audiências públicas costuma estar vazia. E aqui vai uma provocação necessária, dita por quem acompanha esse setor de perto: parte da conta que pagamos em obras ruins tem endereço na nossa própria ausência. Faço a provocação de dentro do setor. Represento empresas que executam a infraestrutura do estado, e é essa posição que me leva a afirmar que a fiscalização qualificada não se opõe a quem trabalha com seriedade. Ao contrário, distingue o bom prestador da concorrência desleal e fortalece a credibilidade do conjunto: o escrutínio público é aliado de quem produz bem. É diante desse silêncio que submeto uma proposta ao debate: a criação, no Paraná, de um Conselho Estadual de Infraestrutura, permanente e deliberativo. Uma instância que reúna, com voz e voto, o poder público, o setor produtivo, as universidades, os conselhos profissionais de engenharia e a sociedade civil, dos usuários das rodovias às comunidades afetadas pelas obras. Caberia a ele contribuir para a definição de prioridades, acompanhar cronogramas e cobrar prestação de contas publicamente. Seria a via natural para converter as ferramentas de transparência que já temos em participação com efeito decisório. Para fundamentar essa proposta, a saúde oferece o precedente mais instrutivo. O controle social do SUS resultou de mobilização da sociedade, conduzida pelo movimento sanitarista e consagrada na Constituição de 1988. Dessa construção nasceu a Lei nº 8.142/1990, que criou os Conselhos de Saúde como instâncias permanentes e deliberativas. Existem hoje mais de 5.200 deles, entre estados e municípios, com cerca de 64 mil conselheiros. A composição é paritária, e metade das cadeiras cabe aos usuários. Seu traço mais relevante é a natureza deliberativa: os conselhos participam da formulação das políticas, fiscalizam sua execução e acompanham os aspectos financeiros. A lição é encorajadora: a participação institucionalizada pode ser construída. A viabilidade dessa construção se apoia em uma base que já existe no estado. A desculpa de que faltaria informação não se sustenta: no Paraná, o Tribunal de Contas do Estado mantém o Portal Informação para Todos, plataforma pública e gratuita que reúne mais de vinte painéis interativos com dados dos 399 municípios paranaenses. Neles se consultam, sem exigência de conhecimento técnico, obras, licitações, contratos, convênios, saneamento e a destinação de emendas parlamentares. O painel de obras, alimentado mensalmente pelas prefeituras, permite acompanhar a situação de cada intervenção, das que estão em andamento às que estão paradas. A ferramenta está pronta; falta ampliar quem a utiliza. O avanço vem sendo construído também no plano institucional. Em fevereiro de 2025, o próprio Tribunal de Contas editou a Resolução nº 126, que institui sua Política de Atuação com o Controle Social, reconhecendo que a fiscalização se aproxima da realidade local quando o cidadão dela participa, e prevendo, inclusive, mecanismos de participação social na elaboração do próprio plano de fiscalização. A porta institucional está aberta, e cabe à sociedade atravessá-la. A trajetória da saúde ensina, contudo, que o instrumento depende de quem o exerça: quando a participação se retrai, o mecanismo de controle perde vitalidade. Por isso, a construção é compartilhada. Ao Estado cabe manter e aperfeiçoar os canais; à sociedade, ocupá-los com constância. Fica, assim, o convite: consultar os dados que estão à disposição, verificar a existência de audiências sobre as obras que nos afetam e cobrar dos representantes canais efetivos de participação. A infraestrutura é o suporte material da vida em comum, e deliberar sobre ela é um direito que se realiza no exercício. Temos hoje condições melhores do que nunca para participar das decisões; transformar essa possibilidade em prática é a tarefa que nos convoca. *Rodrigo Gawlik Junior é Mestre em Direito Empresarial e Cidadania, advogado e secretário-geral da INFRAVIA-PR (Associação das Empresas de Infraestrutura Viária do Estado do Paraná). REPORTAGEM COMPLETA: https://www.bemparana.com.br/opiniao/conselho-estadual-de-infraestrutura-solucao-para-o-silencio-da-sociedade/
INFRAVIA-PR NO SIMTEC / UTFPR: Protagonismo feminino e excelência técnica na infraestrutura.

É com muito orgulho que compartilhamos a participação da INFRAVIA-PR no painel do SIMTEC, promovido pela UTFPR, com o tema: “Pavimentação rodoviária no Paraná: controle tecnológico, qualidade e o novo perfil da engenharia de campo”. O SIMTEC conecta a universidade ao setor produtivo, e este encontro colocou em destaque a força técnica e a liderança feminina na infraestrutura viária paranaense. A mesa reuniu quatro engenheiras que representam a excelência do nosso setor: 🔹 Luciana Maria de Freitas Martins trouxe a visão da origem da cadeia, abordando o controle de qualidade do ligante e a produção na fábrica de asfaltos. 🔹Ana Carolina Ostrovski aprofundou o controle tecnológico, detalhando desde a pedreira e a britagem até a usina. 🔹Loise Eduarda Baldissera levou a realidade do campo, do dia a dia da obra e da garantia de qualidade no momento da aplicação. 🔹Emmanuelle Holdefer Garcia apresentou a visão da gestão de contratos, mostrando como qualidade e desempenho se traduzem em compromisso contratual. A mediação foi conduzida pelo nosso secretário-geral, Rodrigo Gawlik Junior, conectando as pautas técnicas ao cenário institucional do setor. Uma semente plantada:Mais do que os reconhecimentos pela profundidade técnica, o evento revelou um movimento que anima o futuro do setor: esse novo perfil de engenharia, técnico, moderno e inspirador, é exatamente o que as empresas de infraestrutura viária do Paraná procuram. A semente foi plantada, e a colheita já começou. Sua empresa também busca esse novo perfil de engenharia? Fale com a INFRAVIA-PR. Nosso sincero agradecimento à UTFPR e à organização do SIMTEC pelo espaço, e um parabéns especial às quatro engenheiras que representaram tão bem o Paraná. Construindo os melhores caminhos para o Paraná, juntos. INFRAVIA-PRAssociação das Empresas de Infraestrutura Viária do Estado do Paraná…#InfraviaPR #UTFPR #SIMTEC #EngenhariaCivil #InfraestruturaViaria #MulheresNaEngenharia
Compras.gov.br muda ordem das fases em licitações de obras

Nova função permitirá analisar a habilitação das empresas antes da disputa de preços e deve entrar no ar no fim de 2026 O Compras.gov.br vai ganhar uma nova funcionalidade para permitir a inversão de fases em licitações. Na prática, órgãos públicos poderão analisar primeiro se as empresas cumprem os requisitos de habilitação e, depois, realizar a disputa de preços entre os concorrentes considerados aptos. A Secretaria de Gestão e Inovação, do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, confirmou que a inclusão da funcionalidade já foi formalmente registrada junto ao parceiro tecnológico responsável pelo sistema. A previsão informada pelo governo federal é de disponibilização no quarto trimestre de 2026. A demanda foi apresentada ao Ministério pela Associação das Empresas de Infraestrutura Viária do Estado do Paraná (INFRAVIA-PR). O que muda nas licitações Na ordem tradicional prevista para as licitações, primeiro são apresentadas e julgadas as propostas e, depois, ocorre a fase de habilitação. É nesse momento que a administração verifica se a empresa reúne as condições exigidas para executar o contrato. A legislação federal, porém, permite inverter essa ordem. Nesse caso, a habilitação ocorre antes da apresentação e do julgamento das propostas, desde que a decisão seja justificada e esteja prevista no edital. A própria regulamentação federal prevê essa possibilidade. Com a inversão, somente depois da análise dos requisitos exigidos é que ocorre a disputa de preços entre os participantes habilitados. O manual oficial do Compras.gov.br registra que a possibilidade de inversão das fases, com apresentação antecipada dos documentos de habilitação, ainda depende de implementação no sistema. Entidade prevê menos tempo, custo e burocracia Para a INFRAVIA-PR, a mudança pode reduzir o retrabalho nos processos de contratação pública. Isso porque, quando a empresa mais bem colocada na disputa de preços não atende posteriormente às exigências de habilitação, a administração precisa avançar para os concorrentes seguintes e realizar novas análises. “A questão é diminuir o custo que a licitação gera. A cada nova análise da capacidade do fornecedor são tempo, dinheiro e burocracia gastos sem necessidade”, afirma Rodrigo Gawlik Júnior, secretário-geral da INFRAVIA-PR. Segundo a entidade, a inversão permite que a disputa pelo menor preço ocorra depois da verificação das empresas que atendem às condições estabelecidas no edital. A expectativa de redução de custos, prazos e burocracia é uma avaliação da associação. O Ministério confirmou a implementação da funcionalidade, mas não apresentou, no documento encaminhado à entidade, uma estimativa de economia gerada pela mudança. Lei já permite inversão das fases A nova funcionalidade não altera a Lei de Licitações. A possibilidade de antecipar a habilitação já está prevista nas regras federais. A Instrução Normativa nº 73 estabelece como sequência normal as fases de propostas, julgamento e habilitação, mas permite que a habilitação seja antecipada quando houver justificativa e previsão expressa no edital. No Paraná, a Lei Estadual nº 22.883/2025 também estabelece que, nas licitações de obras e serviços de engenharia, a habilitação pode ocorrer antes do julgamento das propostas. A legislação estadual determina que sejam analisadas previamente, nessa situação, as qualificações técnica, econômico-financeira e jurídica dos licitantes. Quando a inversão não é adotada, a lei prevê o uso preferencial da garantia de proposta, conforme as características da contratação. Pedido partiu de entidade do Paraná A INFRAVIA-PR levou a discussão ao Ministério após identificar a diferença entre a possibilidade prevista na legislação e a operação disponível no sistema eletrônico. Em resposta à associação, a Secretaria de Gestão e Inovação informou que a demanda foi registrada para desenvolvimento e apontou o quarto trimestre deste ano como previsão para disponibilização da nova funcionalidade. Embora o pedido tenha partido do Paraná, a mudança terá alcance sobre os processos realizados por meio do Compras.gov.br que passarem a contar com o novo recurso. Para Gawlik, a possibilidade de verificar a habilitação antes da disputa de preços aproxima o funcionamento da plataforma das alternativas já previstas pela legislação. Reportagem: https://www.band.com.br/economia/compras-gov-br-muda-ordem-das-fases-em-licitacoes-de-obras
Asfalto está até 42% mais caro no Paraná em 2026; entenda motivo da alta

Infravia-PR alerta para disparada do preço do ligante asfáltico, influenciada pela valorização do petróleo e tensões no Oriente Médio A forte elevação dos preços dos derivados de petróleo vem pressionando os custos das empresas responsáveis pela execução de obras rodoviárias no Paraná e aumentando a preocupação com a saúde financeira do setor. O principal ponto de atenção é o cimento asfáltico de petróleo (CAP), insumo essencial para a pavimentação, que acumula alta superior a 42% em 2026 em determinadas regiões. Somado à elevação do diesel e de outros custos operacionais, o aumento reduz as margens previstas nos contratos e amplia o descompasso entre o valor contratado e o custo efetivo das obras. A Associação das Empresas de Infraestrutura Viária do Paraná (Infravia-PR), que reúne 36 empresas do setor no Estado, defende que os mecanismos de reajuste e recomposição econômico-financeira acompanhem, em tempo adequado, a realidade dos custos. Para a entidade, a medida é necessária para preservar a capacidade financeira das empresas e a sustentabilidade dos investimentos em infraestrutura no Paraná. “Estamos diante de uma elevação de custos provocada por fatores externos às empresas. O petróleo sobe no mercado internacional e esse movimento chega diretamente ao custo da pavimentação. Por isso, é fundamental que os mecanismos de reajuste e recomposição dos contratos acompanhem essa realidade em tempo adequado, preservando a saúde financeira das empresas e a capacidade de execução dos investimentos no Paraná”, afirma Rodrigo Gawlik Jr., secretário-geral da Infravia-PR. O cenário ocorre em um momento de forte volume de investimentos rodoviários no Estado. Projetos estruturantes estão em execução ou em planejamento em diferentes regiões, incluindo intervenções na BR-277, duplicações e ampliações da malha. Apenas um dos pacotes voltados ao acesso ao litoral prevê cerca de R$1,5 bilhão em obras, com entregas programadas até 2027. No Oeste e no Sudoeste, o BNDES aprovou R$9,2 bilhões em financiamentos para intervenções em 662 quilômetros de rodovias federais e estaduais. A repercussão cresce com a sucessão de reajustes do CAP nas refinarias. Desde março, a Petrobrás promoveu aumentos no preço do insumo, com reajuste médio de 20% em abril e picos de até 22,45% em algumas unidades. Novas altas fizeram o acumulado do ano superar 42% em determinadas regiões. Guerras impactam no preço do asfalto O movimento está relacionado à valorização internacional do petróleo e às tensões geopolíticas no Oriente Médio. Como o CAP é diretamente associado aos derivados de petróleo, a volatilidade da commodity chega à cadeia de pavimentação e altera significativamente os custos de execução. O diesel também contribui para a escalada de preços. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o combustível registrou alta de 11,6% em um único reajuste em 2026. Na semana de 5 a 11 de maio, o preço médio nas bombas chegou a R$7,58 por litro. O impacto se distribui pela operação, atingindo máquinas e equipamentos, transporte de materiais e logística dos canteiros. O problema se torna mais sensível quando existe diferença entre o momento em que o custo aumenta e aquele em que o valor correspondente é reconhecido no contrato. “A questão é também de saúde financeira. As empresas precisam manter equipes, máquinas, fornecedores, combustível e logística, mesmo diante de uma elevação extraordinária dos principais insumos. Esse descompasso pressiona o capital de giro e reduz as margens das empresas, que podem precisar utilizar recursos próprios para absorver temporariamente custos que não estavam previstos na composição original dos contratos”, ressalta Gawlik. A Nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos (Lei nº 14.133/2021) prevê a possibilidade de alteração dos contratos para restabelecer o equilíbrio econômico-financeiro diante de fatos imprevisíveis ou previsíveis de consequências incalculáveis que onerem de forma extraordinária a execução nas condições originalmente pactuadas. A Infravia-PR defende que cada situação seja analisada individualmente, com base em critérios técnicos. A elevação do CAP também produz um efeito adicional sobre os custos por causa da incidência tributária. No Paraná, o ICMS sobre o produto é de 19,50%, enquanto PIS e COFINS somam 9,25%. Com o aumento do preço do insumo, os tributos calculados sobre essa base também representam um valor nominal maior. “É importante que a sociedade compreenda que o aumento do asfalto não é apenas uma questão interna das empresas. O custo do pavimento é afetado pelo petróleo, pela logística, pelo diesel e também pela carga tributária incidente sobre o produto. Quando o preço base aumenta, os impostos calculados sobre ele acompanham essa elevação, ampliando ainda mais a pressão sobre o custo das obras”, finaliza o secretário-geral da Infravia-PR. Sobre a Infravia Criada no período pós-pandemia, a Associação das Empresas de Infraestrutura Viária do Paraná (Infravia-PR) se tornou rapidamente um importante canal de interlocução entre o setor de infraestrutura e o poder público. Atualmente, mantém diálogo permanente com representantes dos poderes Executivo, Legislativo e com o Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR). Além da atuação institucional, a Infravia-PR também investe na formação de profissionais para o setor. A entidade prepara o anúncio de uma parceria com uma universidade pública paranaense para contribuir com a qualificação de futuros engenheiros especializados em infraestrutura viária. Obras no contorno de Arapongas (Foto: Ari Dias (AEN)) Reportagem Completa: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/parana-sa/preco-asfalto-parana-obras-rodoviarias/
Pesquisa CNT de Rodovias 2026 inicia etapa de campo para avaliar a infraestrutura viária do país

Equipes percorrerão mais de 117 mil quilômetros da malha pavimentada brasileira para levantar informações que subsidiarão decisões logísticas, investimentos e políticas públicas. Por Agência CNT Transporte Atual30/06/2026 12h08 A CNT deu início, nessa segunda-feira (29), à etapa de campo da Pesquisa CNT de Rodovias 2026, o mais amplo e tradicional levantamento sobre as condições da infraestrutura rodoviária brasileira. Nesta edição, 23 pesquisadores percorrerão mais de 117 mil quilômetros de rodovias pavimentadas em aproximadamente 30 dias, um crescimento de 2,5% em relação a 2025. A operação teve início em 13 cidades distribuídas pelas cinco regiões do país — com exceção de Macapá (AP), cuja equipe iniciará os trabalhos posteriormente — e avaliará rodovias de todos os estados do Brasil. A saída de campo é realizada em parceria com federações estaduais do transporte. Os pesquisadores partiram de Brasília (DF), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Manaus (AM), Rio Branco (AC), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC), São Paulo (SP), Maceió (AL) e Teresina (PI). Reconhecida como referência nacional na avaliação da malha rodoviária, a Pesquisa CNT de Rodovias chega ao seu 31º ano abrangendo 100% das rodovias federais pavimentadas, os principais trechos estaduais e todas as rodovias concedidas. O levantamento permite acompanhar a evolução da infraestrutura ao longo do tempo e identificar os principais desafios enfrentados pelo transporte rodoviário, com o objetivo de servir de base para análises técnicas, estudos setoriais e tomadas de decisão. Durante o trabalho de campo, os pesquisadores avaliarão as características do pavimento, da sinalização e da geometria das vias. Todo o percurso será registrado por câmeras instaladas nos veículos de pesquisa, enquanto os dados serão coletadas em sistema digital padronizado, garantindo precisão e uniformidade nos resultados. A edição de 2026 da Pesquisa CNT de Rodovias incorpora novas soluções tecnológicas que tornam a coleta e o processamento das informações ainda mais ágeis, precisos e seguros. Entre as novidades estão a utilização de sensores em todas as rotas para ampliar os estudos sobre as condições do pavimento, a transmissão de dados via satélite em parte do percurso e a centralização do processamento em uma infraestrutura própria da CNT, com base em nuvem privada e recursos de inteligência artificial. As inovações ainda incluem um sistema de identificação imediata de falhas nas imagens captadas em campo, reduzindo o tempo de correção de inconsistências, além da ampliação da avaliação remota das rodovias, empregada tanto na auditoria das rotas quanto no aprimoramento dos modelos de IA. Com essas melhorias, a Pesquisa ganha mais eficiência operacional, maior capacidade de processamento e ainda mais confiabilidade nos resultados. A diretora executiva da Confederação, Fernanda Rezende, destaca que os resultados são amplamente utilizados por transportadores, investidores, pesquisadores e gestores públicos. “A Pesquisa CNT de Rodovias oferece um diagnóstico técnico da infraestrutura viária e transforma esse conhecimento em subsídios para tomada de decisão de gestores de empresas e do poder público, direcionamento de investimentos e ações que contribuam para um transporte mais seguro, eficiente e competitivo para o país”, afirma. Pesquisa completa mais de três décadas como referência Realizada há 31 anos, a Pesquisa forma uma série histórica que permite avaliar avanços, identificar gargalos e apoiar decisões estratégicas para o transporte e a logística. Com dados técnicos coletados de maneira padronizada e abrangente, o levantamento amplia o conhecimento sobre as condições das rodovias e reforça a importância dos investimentos em infraestrutura. Nos últimos anos, a Pesquisa CNT de Rodovias passou por um processo contínuo de modernização tecnológica. O uso de ferramentas digitais, sistemas automatizados de análise e recursos de inteligência artificial amplia a capacidade de processamento das informações e contribuído para o aprimoramento da qualidade dos diagnósticos. https://cnt.org.br/agencia-cnt/pesquisa-cnt-de-rodovias-2026-inicia-etapa-de-campo-para-avaliar-a-infraestrutura-viria-do-pas
ANTT reforça fiscalização de rodovias diante de El Niño intenso

Foto: Agência Brasil A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) reforçou a atuação preventiva nas rodovias federais concedidas diante da previsão de um El Niño de forte intensidade no segundo semestre de 2026. A estratégia envolve fiscalização, monitoramento das concessionárias e mecanismos regulatórios para adaptar a infraestrutura e reduzir os impactos de eventos climáticos extremos. Entre as medidas acompanhadas pela agência estão o monitoramento das condições das rodovias, a preparação para respostas emergenciais e investimentos em drenagem, contenção de encostas e prevenção de incêndios. A resiliência climática também passou a ser incorporada de forma mais estruturada aos novos contratos de concessão, com foco em situações como enchentes, deslizamentos, estiagens severas e queimadas. Segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), o El Niño já está estabelecido e tem probabilidade superior. Na Região Sul, a previsão de chuvas acima da média aumenta o risco de alagamentos, erosões, quedas de barreiras e danos à infraestrutura. No centro-norte do país, a combinação de estiagem e temperaturas elevadas amplia a possibilidade de ondas de calor e incêndios florestais e pode deixar acostamentos e taludes mais vulneráveis. A fiscalização das concessões é realizada por meio do PAF (Plano Anual de Fiscalização da Infraestrutura e Operação Rodoviária), que define a periodicidade e o escopo das inspeções com base em critérios da 4ª norma do Regulamento das Concessões Rodoviárias, prevista na Resolução ANTT 6.053/2024. Em situações de emergência climática, as concessionárias devem intensificar o monitoramento, sinalizar áreas de risco, remover barreiras e adotar medidas para restabelecer o tráfego com segurança. Além da fiscalização, a ANTT utiliza instrumentos regulatórios para estimular investimentos em infraestrutura resiliente. Um deles é o PSI (Programa de Sustentabilidade para Infraestrutura de Rodovias e Ferrovias Federais), instituído pela Resolução ANTT 6.057/2024. O programa estabelece parâmetros de desempenho sustentável e um índice de desenvolvimento sustentável para acompanhar as concessionárias em práticas ambientais, sociais e de governança. O PSI incentiva investimentos em sistemas de drenagem, contenção de encostas e prevenção de incêndios. Uma portaria do Ministério dos Transportes também determina que novos projetos de concessão destinem ao menos 1% da receita bruta a ações de resiliência. Para concessionárias que aderem voluntariamente ao PSI, há possibilidade de incremento adicional de 2% na receita para projetos de descarbonização e resiliência climática. Até agosto de 2026, 31 concessionárias haviam aderido voluntariamente ao PSI, sendo 21 rodoviárias e dez ferroviárias. Deste total, 13 já haviam alcançado o nível mais exigente do programa. A experiência das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 também contribuiu para o aperfeiçoamento dos mecanismos de resposta da ANTT, segundo a reguladora. Durante a crise, a agência acompanhou as intervenções emergenciais na BR-386/RS, administrada pela ViaSul, por meio de relatórios técnicos, registros fotográficos e monitoramento de interdições e ocorrências. O episódio foi posteriormente utilizado como referência para a atualização da matriz de riscos dos novos contratos de concessão. O objetivo é dar maior agilidade à resposta a emergências climáticas e reduzir a necessidade de processos prolongados de revisão contratual em situações excepcionais. Reportagem: https://agenciainfra.com/blog/antt-reforca-fiscalizacao-de-rodovias-diante-de-el-nino-intenso/
Impactos dos investimentos rodoviários sobre a produção, o emprego e o valor adicionado da economia paranaense

Os investimentos em infraestrutura rodoviária desempenham papel central na promoção do desenvolvimento econômico regional ao reduzir custos logísticos, ampliar a integração dos mercados e elevar a produtividade. Este estudo quantifica os impactos econômicos dos investimentos rodoviários realizados pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR) por meio da Matriz Insumo-Produto (MIP) do Paraná de 2018, elaborada pelo IPARDES. Utilizam-se multiplicadores do tipo II da análise insumo-produto para estimar os efeitos diretos, indiretos e induzidos dos investimentos sobre a produção, o emprego e o valor adicionado bruto (VAB). Os resultados indicam que os investimentos em infraestrutura rodoviária geram expressivos efeitos de transbordamento sobre a economia estadual. Cada R$ 1 milhão investido no setor da Construção está associado à geração de aproximadamente 24 postos de trabalho, R$ 2,47 milhões em produção e R$ 1,10 milhão em valor adicionado bruto. O setor de Transporte apresenta o maior multiplicador de produção (2,98) e o maior multiplicador de VAB (1,24), refletindo seus fortes encadeamentos intersetoriais e sua elevada capacidade de disseminar atividade econômica. Simulações de diferentes programas de investimento demonstram que os gastos em infraestrutura rodoviária constituem um instrumento eficaz para estimular o emprego, a geração de renda e o crescimento econômico. Embora as estimativas sejam conservadoras em razão da utilização de um modelo insumo-produto de região única, que não incorpora os efeitos de retroalimentação inter-regional, os resultados reforçam a importância estratégica da infraestrutura de transportes como vetor de competitividade, integração territorial e desenvolvimento econômico de longo prazo no estado do Paraná. Os investimentos em infraestrutura rodoviária são um dos principais instrumentos de desenvolvimento e integração territorial do Paraná: ao conectar regiões produtoras, polos industriais e centros consumidores, reduzem custos logísticos, ampliam mercados e estimulam o investimento privado. Mais do que obras físicas, mobilizam uma ampla cadeia produtiva e geram impactos que se propagam por toda a economia. Este texto busca quantificar esses efeitos a partir da Matriz Insumo-Produto (MIP) do Paraná de 2018, elaborada pelo IPARDES[1]. Os multiplicadores decompõem cada impacto em três componentes[2]: o efeito direto, gerado no próprio setor que recebe o investimento; o efeito indireto, induzido ao longo da cadeia de fornecedores de insumos e serviços; e o efeito renda (ou induzido), decorrente do consumo das famílias a partir da renda criada nas etapas anteriores. A soma dos três é o efeito total. Aqui são reportados três tipos de multiplicadores: o de produto (o valor da produção gerado em toda a economia por R$ 1 milhão investido), o de emprego (postos de trabalho gerados por R$ 1 milhão) e o de valor adicionado bruto — VAB — (contribuição ao PIB estadual por cada R$ 1 milhão). Os resultados são apresentados a seguir, setor a setor, para o Transporte, Armazenagem e Correios (a atividade-fim viabilizada pela malha rodoviária), para a Construção[3], que executa fisicamente as obras, e para a Eletricidade e o saneamento, incluídos como referência comparativa de infraestrutura. Tabela 1 — Empregos gerados para cada R$ 1 milhão investido A partir da Tabela1, observa-se que a Construção apresenta o maior multiplicador de emprego — 24 postos por R$ 1 milhão —, resultado puxado pelo elevado efeito direto (14), próprio de uma atividade intensiva em mão de obra e de baixa mecanização relativa. O Transporte, ainda que gere menos emprego direto (3), alcança 17 postos no total graças à força de seus encadeamentos: a soma dos efeitos indireto e de renda responde pela maior parte do resultado, evidenciando forte capacidade de disseminar atividade para o restante da economia. A Eletricidade e o saneamento, mais intensivos em capital, registram o menor multiplicador (9 empregos), ainda que relevante. Tabela 2 — Produção gerada para cada R$ 1 milhão investido (R$ milhões) Com relação ao multiplicador de produto, o Transporte lidera (2,98): cada R$ 1 milhão de demanda final mobiliza cerca de R$ 2,98 milhões de produção em toda a economia paranaense, sustentado por efeitos indireto (0,52) e de renda (1,29) expressivos — reflexo do forte encadeamento do setor com combustíveis, manutenção, comércio e serviços. A Construção segue com 2,47 e a Eletricidade e o saneamento, com 2,15. Em todos os casos, o efeito renda um componente decisivo da propagação, o que ressalta a importância da renda do trabalho como vetor de disseminação dos impactos. Tabela 3 — Valor adicionado bruto gerado para cada R$ 1 milhão investido (R$ milhões) Já o valor adicionado bruto corresponde à parcela da produção que remunera trabalho e capital e que compõe o PIB; é, por isso, o indicador mais próximo do impacto sobre o produto estadual. O Transporte novamente lidera (1,24), gerando R$ 1,24 milhão de VAB para cada R$ 1 milhão de investimento. Esse valor é superior ao próprio aporte, em razão da propagação setorial. A Eletricidade (1,12) e a Construção (1,10) apresentam totais próximos, porém com composições distintas: a Eletricidade concentra o valor no efeito direto (0,71), por ser atividade de elevada margem e intensiva em capital, ao passo que a Construção distribui o impacto de forma mais equilibrada entre os três efeitos. O multiplicador de VAB é inferior ao de produção porque exclui o consumo intermediário, ou seja, ele mede a riqueza líquida criada, e não o giro bruto de produção. No quesito planejamento, esses coeficientes podem ser aplicados diretamente ao volume investido. Aqui usamos os multiplicadores da Construção, que são os correspondentes mais próximos à execução das obras. A Tabela 4 ilustra o impacto estimado de diferentes volumes de investimento rodoviário sobre o emprego, a produção, o valor adicionado e os impostos da economia paranaense, considerados os efeitos direto, indireto e de renda. Tabela 4 — Impacto estimado de programas de investimento rodoviário (setor Construção) Assim, um programa de R$ 500 milhões em pavimentação, duplicação e conservação tende a mobilizar cerca de 12 mil empregos, R$ 1,24 bilhão em produção, R$ 550 milhões em valor adicionado e R$ 8 milhões em impostos arrecadados durante sua execução — impacto que se distribui por toda a cadeia de fornecedores e pelo consumo das famílias, e não se restringe ao canteiro de obras. Para se
Paraná terá curso especializado em infraestrutura viária

A capacitação está sendo criada e deve ser lançada no próximo ano. Uma universidade pública irá lançar um novo curso de engenharia especializado para projetos de insfraestrutura viária. A formação foi criada pela instituição em parceria com a Infravia, Associação das Empresas de Infraestrutura Viária do Paraná, com o objetivo de atrair jovens para o setor da construção civil. O secretário-geral da Infravia, Rodrigo Gawlik Jr, afirma que essa é uma necessidade não só do Paraná, mas do país. O curso está em fase de ajustes e desenvolvimento e deve ser lançado a partir do próximo ano. A capacitação de bons profissionais no setor pode trazer benefícios a longo prazo para todo o país. A associação Infravia atua no Paraná fiscalizando obras públicas e trabalhando para que os processos licitatórios sejam íntegros, técnicos e competitivos. REPORTAGEM COMPLETA: https://bandnewsfmcuritiba.com/parana-tera-curso-especializado-em-infraestrutura-viaria/ Foto: Roberto Dziura Jr/AEN
Relações de trabalho: desafios e oportunidades para empresas de infraestrutura viária

Parceria entre associação viária paranaense e renomada universidade do Paraná quer atrair jovens para o setor da construção civilRepresentantes de empresas do setor de infraestrutura viária participaram, na manhã desta terça-feira (21), do bate-papo “Relações de trabalho: desafios e oportunidades para empresas de infraestrutura viária”, promovido pela Infravia – Associação das Empresas de Infraestrutura Viária do Paraná, em parceria com o escritório Vernalha Pereira Advogados, que sediou o encontro. Durante o debate, o secretário-geral da Infravia, Rodrigo Gawlik Júnior, anunciou uma parceria entre a associação e uma renomada universidade paranaense, com a criação de um curso de especialização em engenharia para atuação específica em projetos de infraestrutura viária. “Atualmente, a sociedade não consegue enxergar como a infraestrutura é fundamental para seu funcionamento. Com o curso, esperamos qualificar mão-de-obra e melhorar essa percepção”, afirmou. O evento reuniu especialistas para debater os principais desafios trabalhistas e regulatórios que impactam o segmento de infraestrutura viária. Foram discutidos temas como reforma tributária, os impactos econômicos da proposta de extinção da escala 6×1 para o setor produtivo paranaense e as adaptações exigidas pela atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), promovida pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Ruy Barbosa, Head da área trabalhista do escritório Vernalha Pereira, Michel Garcia, diretor-administrativo do Grupo Ellenco, Rodrigo Gawlik Júnior, secretário geral da Infravia, Franceli Prace, diretora administrativa da AFIRMA EVIAS e Rafael Balanin, sócio de tributário do Vernalha Pereira Advogados participaram da discussão. Além deles, Aline Klein, sócia de infraestrutura e regulatório do Vernalha Pereira e Carlos Rego, presidente da Infravia, também estiveram presentes. CRÉDITO TEXTO E FOTOGRAFIA: BESSA COMUNICAÇÃO