Impactos dos investimentos rodoviários sobre a produção, o emprego e o valor adicionado da economia paranaense

Os investimentos em infraestrutura rodoviária desempenham papel central na promoção do desenvolvimento econômico regional ao reduzir custos logísticos, ampliar a integração dos mercados e elevar a produtividade. Este estudo quantifica os impactos econômicos dos investimentos rodoviários realizados pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR) por meio da Matriz Insumo-Produto (MIP) do Paraná de 2018, elaborada pelo IPARDES. Utilizam-se multiplicadores do tipo II da análise insumo-produto para estimar os efeitos diretos, indiretos e induzidos dos investimentos sobre a produção, o emprego e o valor adicionado bruto (VAB). Os resultados indicam que os investimentos em infraestrutura rodoviária geram expressivos efeitos de transbordamento sobre a economia estadual. Cada R$ 1 milhão investido no setor da Construção está associado à geração de aproximadamente 24 postos de trabalho, R$ 2,47 milhões em produção e R$ 1,10 milhão em valor adicionado bruto. O setor de Transporte apresenta o maior multiplicador de produção (2,98) e o maior multiplicador de VAB (1,24), refletindo seus fortes encadeamentos intersetoriais e sua elevada capacidade de disseminar atividade econômica. Simulações de diferentes programas de investimento demonstram que os gastos em infraestrutura rodoviária constituem um instrumento eficaz para estimular o emprego, a geração de renda e o crescimento econômico. Embora as estimativas sejam conservadoras em razão da utilização de um modelo insumo-produto de região única, que não incorpora os efeitos de retroalimentação inter-regional, os resultados reforçam a importância estratégica da infraestrutura de transportes como vetor de competitividade, integração territorial e desenvolvimento econômico de longo prazo no estado do Paraná. Os investimentos em infraestrutura rodoviária são um dos principais instrumentos de desenvolvimento e integração territorial do Paraná: ao conectar regiões produtoras, polos industriais e centros consumidores, reduzem custos logísticos, ampliam mercados e estimulam o investimento privado. Mais do que obras físicas, mobilizam uma ampla cadeia produtiva e geram impactos que se propagam por toda a economia. Este texto busca quantificar esses efeitos a partir da Matriz Insumo-Produto (MIP) do Paraná de 2018, elaborada pelo IPARDES[1]. Os multiplicadores decompõem cada impacto em três componentes[2]: o efeito direto, gerado no próprio setor que recebe o investimento; o efeito indireto, induzido ao longo da cadeia de fornecedores de insumos e serviços; e o efeito renda (ou induzido), decorrente do consumo das famílias a partir da renda criada nas etapas anteriores. A soma dos três é o efeito total. Aqui são reportados três tipos de multiplicadores: o de produto (o valor da produção gerado em toda a economia por R$ 1 milhão investido), o de emprego (postos de trabalho gerados por R$ 1 milhão) e o de valor adicionado bruto — VAB — (contribuição ao PIB estadual por cada R$ 1 milhão). Os resultados são apresentados a seguir, setor a setor, para o Transporte, Armazenagem e Correios (a atividade-fim viabilizada pela malha rodoviária), para a Construção[3], que executa fisicamente as obras, e para a Eletricidade e o saneamento, incluídos como referência comparativa de infraestrutura. Tabela 1 — Empregos gerados para cada R$ 1 milhão investido A partir da Tabela1, observa-se que a Construção apresenta o maior multiplicador de emprego — 24 postos por R$ 1 milhão —, resultado puxado pelo elevado efeito direto (14), próprio de uma atividade intensiva em mão de obra e de baixa mecanização relativa. O Transporte, ainda que gere menos emprego direto (3), alcança 17 postos no total graças à força de seus encadeamentos: a soma dos efeitos indireto e de renda responde pela maior parte do resultado, evidenciando forte capacidade de disseminar atividade para o restante da economia. A Eletricidade e o saneamento, mais intensivos em capital, registram o menor multiplicador (9 empregos), ainda que relevante. Tabela 2 — Produção gerada para cada R$ 1 milhão investido (R$ milhões) Com relação ao multiplicador de produto, o Transporte lidera (2,98): cada R$ 1 milhão de demanda final mobiliza cerca de R$ 2,98 milhões de produção em toda a economia paranaense, sustentado por efeitos indireto (0,52) e de renda (1,29) expressivos — reflexo do forte encadeamento do setor com combustíveis, manutenção, comércio e serviços. A Construção segue com 2,47 e a Eletricidade e o saneamento, com 2,15. Em todos os casos, o efeito renda um componente decisivo da propagação, o que ressalta a importância da renda do trabalho como vetor de disseminação dos impactos. Tabela 3 — Valor adicionado bruto gerado para cada R$ 1 milhão investido (R$ milhões) Já o valor adicionado bruto corresponde à parcela da produção que remunera trabalho e capital e que compõe o PIB; é, por isso, o indicador mais próximo do impacto sobre o produto estadual. O Transporte novamente lidera (1,24), gerando R$ 1,24 milhão de VAB para cada R$ 1 milhão de investimento. Esse valor é superior ao próprio aporte, em razão da propagação setorial. A Eletricidade (1,12) e a Construção (1,10) apresentam totais próximos, porém com composições distintas: a Eletricidade concentra o valor no efeito direto (0,71), por ser atividade de elevada margem e intensiva em capital, ao passo que a Construção distribui o impacto de forma mais equilibrada entre os três efeitos. O multiplicador de VAB é inferior ao de produção porque exclui o consumo intermediário, ou seja, ele mede a riqueza líquida criada, e não o giro bruto de produção. No quesito planejamento, esses coeficientes podem ser aplicados diretamente ao volume investido. Aqui usamos os multiplicadores da Construção, que são os correspondentes mais próximos à execução das obras. A Tabela 4 ilustra o impacto estimado de diferentes volumes de investimento rodoviário sobre o emprego, a produção, o valor adicionado e os impostos da economia paranaense, considerados os efeitos direto, indireto e de renda. Tabela 4 — Impacto estimado de programas de investimento rodoviário (setor Construção) Assim, um programa de R$ 500 milhões em pavimentação, duplicação e conservação tende a mobilizar cerca de 12 mil empregos, R$ 1,24 bilhão em produção, R$ 550 milhões em valor adicionado e R$ 8 milhões em impostos arrecadados durante sua execução — impacto que se distribui por toda a cadeia de fornecedores e pelo consumo das famílias, e não se restringe ao canteiro de obras. Para se